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Caderno de leitura

A cada ano, vai aumentando a coleção de livros que passam pelas minhas mãos... Uns são meus desde que me lembro... outros apenas viveram comigo uns dias e voltaram para a biblioteca...

A cada ano, vai aumentando a coleção de livros que passam pelas minhas mãos... Uns são meus desde que me lembro... outros apenas viveram comigo uns dias e voltaram para a biblioteca...

Caderno de leitura

18
Mai24

"Carta de Pêro Vaz de Caminha a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil"

Elsa Filipe

Cristóvão Colombo em 1492 leva as embarcações espanholas até ao território que passaria a ser conhecido como o "Novo mundo." Estávamos em pleno Renascimento, onde novas formas de expressão são encontradas, entre elas, a "literatura de viagens" - onde esta carta se inclui - e que não é mais do que guias náuticos ou diários de bordo, elaborados por um grupo que quer detalhar as dimensões da Terra, os monstros horríveis que vão enfrentando, as criaturas nunca vistas que vão sendo desvendadas e as lendas de cidades fantásticas.

Estes relatos vão ajudar a desenvolver áreas do conhecimento como a história natural, a geografia, a astronomia e a antropologia.

A "Carta" remetida por Pêro Vaz de Caminha a Dº. Manuel, é disso um bom exemplo. Escrita a 1 de Maio de 1500 em Porto Seguro, no Brasil, é a primeira notícia de um país e de um povo até então desconhecidos. Na sua versão original, encontra-se guardada na "Torre do Tombo e integra o registo da Memória do Mundo da Unesco desde 29 de Julho de 2005."

Nesta carta, é relatada a "chegada dos navios comandados por Pedro Álvares Cabral ao novo continente," ou seja, sobre o "achamento" daquele que só se saberia depois ser o Brasil - e não a Índia, como estava planeado - com grande rigor, conhecimento e domínio sobre a língua, pelo facto de ser um cronista e não um homem do mar. Mostra a "sabedoria do humanista," uma "nova aptidão de apurado observador, com o fino talento de escritor," numa elaborada "crónica de grande qualidade descritiva," que visa informar "o rei sobre a exuberância e o exotismo do novo mundo e sobre a fisionomia dos nativos."

No entanto, Pêro Vaz, o escrivão desatacado para elaborar esta missiva, começa desde logo por esclarecer que o que pretende fazer é uma descrição factual sem artimanhas de embelezamento e que não se irá reter em aspetos ligados à navegação propriamente dita.

A expedição parte de Belém a nove de março. A pilotar a nau onde segue Pêro Vaz vai Pêro Escobar e, na carta, é dado conta da perda de uma nau - a de Vasco Ataíde, a 23 de março. Segue-se então a descrição, quase que exaustiva da chegada dos portugueses a um novo território, a que chamam de "Vera Cruz" e do primeiro encontro com os "homens que andavam pela praia", "pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas."

Durante o seu discurso, é explicado que no dia 24 de abril são feitos os primeiros prisioneiros, mas que depois são libertados, "dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos", de "bons narizes, bem feitos", acrescentando com pormenor a forma como "traziam os beiços de baixo furados", como são os cabelos "corredios" ou seja, lisos e "rapados até por cima das orelhas." Descreve também a forma como ele e outros (Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho e Aires Correia) os recebem junto com o capitão do barc e como comunicam com os nativos através de sinais. Explica como surge a sua interpretação de que haveria ouro e prata em terra, "isto tomávamos nós assim por assim o desejarmos."

Depois, descreve como no dia seguinte, o capitão ordenou que ele acompanhasse Nicolau Coelho, Bartolomeu Dias e Afonso Ribeiro, numa ida a terra para observarem como é que os nativos viviam. Começam por fazer trocas de objetos e, falando aqui Pêro Vaz pela primeira vez nas "moças".

No domingo de Páscoa, é então erguido um "altar mui bem corregido" e Pêro Vaz explica como é então dita a primeira missa pelo "padre Frei Henrique", perante a "bandeira de Cristo" trazida de Belém. A carta continua então a descrever como é que nos dias seguintes, a terra foi sendo explorada e como foram avançando até encontrarem uma povoação com "nove ou dez casas", todas de "madeira" e cobertas "de palha". Em cada uma dessas casas "se recolhiam trinta ou quarenta pessoas." É nesta relação, nestas primeiras trocas e investigações, que começam a impor aos poucos a sua vontade aos nativos, que os seguem sem maldade, tal como é dito aqui: "Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos...", indiciando um outro motivo da expedição, ou seja, a evangelização. Esta evangelização é justificada como tendo sido mesmo ordenada por Deus: "E pois Nosso Senhor... por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa."

Este documento, "chegou a Lisboa semanas depois, a bordo de uma nau que foi mandada regressar a 1 de Maio."

Fontes: 

MARQUES, Carla, SILVA, Inês, "Letras e Companhia, 9º ano", ASA;

https://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2010/11/Carta-de-Pero-Vaz-de-Caminha-transcricao.pdf

https://ensina.rtp.pt/artigo/pero-vaz-de-caminha-um-novo-mundo-para-o-mundo/

 

17
Mai24

"Mensagem"

Elsa Filipe

Fernando Pessoa, um dos maiores poetas portugueses, viu o livro "Mensagem" ser o único livro em português publicado ainda em vida, em 1934. Este pequeno livro de poemas foi até contemplado no mesmo ano com o "Prémio Antero de Quental", na categoria de «poema ou poesia solta», do Secretariado Nacional de Informação. Esta é uma obra lírica que se interliga em vários aspetos com a obra "Os Lusíadas" de Luís de Camões, escrito cerca de 400 anos antes.

Este livro está dividido em três partes - "Brasão", "Mar Português" e "O Encoberto" - e é composto por um total de 44 poemas, onde se contam séculos de história e onde o passado é contemplado de forma saudosista.

Em: "Brasão" são dadas informações sobre a formação da nacionalidade, heróis lendários e históricos.

Já em "Mar Português" são referidas as descobertas de um povo heróico e aventureiro que pelo mar vai à conquista do império. Um povo que mostra ter uma ânsia pelo desconhecido e que demonstra uma grande coragem, no seu esforço heróico da luta contra o mar.

Na última parte, "O Encoberto" é referida a morte do império de Portugal, simbolizada pelo nevoeiro e onde é notória a afirmação do Sebastianismo. Portugal é visto como um país estagnado à espera do ressurgir.

Fernando Pessoa destaca os heróis como Ulisses, Viriato, ou o Infante D. Henrique.

"Quem te sagrou criou-te português.

Do mar e nós em ti nos deu sinal.

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez

Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Dá também um papel de destaque aos mitos, como por exemplo, no "Mostrengo", que podemos comparar ao "Adamastor" Camoniano.

"O Mostrengo:

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,

«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»"

O poeta destaca a grandiosidade de um povo que, apesar de "pequeno" foi o impulsionador de grandes "feitos." Isto é claramente visível em poemas como "Ascenção de Vasco da Gama" e " Mar Português."

"Mar português:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

A busca por uma "Índia nova" é aqui afirmada tal como nos "Lusíadas" de Camões, não como uma forma de conquistar um novo Império terreno, mas para cumprir o desígnio divino de um Império da Cristandade, a que chama "o Quinto Império."

"Grécia, Roma, Cristandade,

Europa - os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?"

D. Sebastião está de facto presente em vários dos poemas que compõem a "Mensagem", como o "Encoberto" ou "Nevoeiro".

"Nevoeiro:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!"

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/fernando-pessoa-mar-portugues/

https://ensina.rtp.pt/artigo/nevoeiro-de-fernando-pessoa/

https://ensina.rtp.pt/artigo/fernando-pessoa-o-mostrengo/

 

 

16
Mai24

"O quarto protocolo"

Elsa Filipe

"O Quarto Protocolo" é uma história de traições, suspense e conspirações que nos leva ao tempo da Guerra Fria. Um erro, poderia ter despoletado uma nova guerra, com o receio de uma nova bomba nuclear a pairar sobre os estados europeus. Para mim, um livro que apesar de ter sido escrito em 1987, ainda me fez arrepiar pela sua atualidade e por me lembrar constantemente que sabemos muito pouco sobre as movimentações e acordos que são feitos atrás das cortinas. Este acordo, chamado de Quarto Protocolo, refere-se à assinatura de um documento concensual, entre os dois grandes blocos saído da Segunda Guerra Mundial e que estipulava a proibição do uso de armas nucleares. 

Mas o enredo começa com um ladrão de jóias. Um ladrão que assalta uma casa e, rouba os famosos diamantes "Glen". Para os transportar, agarra numa bolsa que se encontrava na casa assaltada. Ao longo da narrativa, os diamantes acabam por passar para um papel secundário, pois é na bolsa que reside a informação principal. Dissimulada, está informação secreta importante, que mostra que existem fugas de informação ou, possivelmente, ações de contra-espionagem dentro dos serviços secretos.

O Plano Aurora, elaborado em segredo pelos soviéticos, vem dar a Valeri Petrofsky, uma arriscada tarefa: fazer detonar uma bomba nuclear norte-americana numa base aérea britânica, utilizada pela NATO, mais propriamente, na Escócia. O plano pretende simular um acidente e colocar o povo britânico, contra os seus aliados da NATO, dando assim força ao bloco ocidental.

Para o conseguir, todos os elementos que compõe o engenho têm de ser dissimulados e transportados para o Reino Unido, o que se revela uma tarefa meticulosa e de grande criatividade.

Nesta corrida contra o tempo para evitar um novo desastre nuclear, John Preston, investigador do MI5 - Serviço de Segurança Britânico - poderá ser o único a conseguir travá-lo, mas a sua tarefa começa a ser dificultada desde logo pelos seus superiores. John Preston está em Inglaterra por motivo de ter sido despromovido, depois de expor um homem que roubava segredos da NATO para os sul-africanos, sem saber que eles iam parar ao KGB. Esta parte da história, que possivelmente serve para nos dar a conhecer um pouco mais a fundo as personagens e as suas interligações, foge um pouco da temática inicial e leva o leitor até África, relatando aqui, também, as interferências da URSS e da NATO, em alguns estados africanos.

Preston, fica então com a função de supervisionar portos e aeroportos e, é nessas funções, que começa a perceber movimentações estranhas, como a chegada de falsos marinheiros, e a apreensão de um disco de polónio. Sob a protecção do director do MI5, Sir Nigel Irvine, Preston vai iniciar uma investigação, que o leva a Petrofsky.

Um autêntico thriller que pelas suas descrições detalhadas, me prendeu do principio ao fim, apesar de ter sido muitas vezes complicado perceber os meandros desta bem elaborada intriga ao mais alto nível de espionagem, que opõem os países ocidentais à própria URSS, na Era da Guerra Fria. 

Frederick Forsyth é um autêntico mestre a interligar as suas personagens num denso enredo sem que se perca a vontade de continuar a ler. A dimensão do livro, poderá assustar alguns, mas no meu caso, demorei muito mais tempo que o normal a terminá-lo porque, por várias vezes, me vi impelida a ir pesquisar sobre a realidade dos factos. Uma das coisas que acho imprescindível que, ao lermos esta obra, tenhamos presente, é que a Guerra Fria é real. "Os EUA lideraram o Bloco Ocidental e a URSS o Bloco de Leste, criando organizações de âmbito politico, militar e económico para prolongar a sua influência.  Foi neste quadro que surgiram o Plano Marshall e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) no primeiro bloco, ou o Plano Molotov e o Pacto de Varsóvia no segundo."

Não sabemos se houve um plano destes, nem se a haver se chamou Aurora, mas existe em São Petersburgo, na Rússia, um navio com uma grande história e importância para os soviéticos. O "Cruzador Aurora", que é um dos símbolos da Revolução de outubro de 1917, participou também em "três guerras – as duas guerras mundiais e a Guerra Russo-Japonesa."

No livro, Forsyth descreve também de forma bem detalhada a situação política britânica, com a iminência de eleições. No horizonte, está Margaret Tatcher, opositora dos movimentos operários. Tatcher defende aquilo que se viria a chamar neoliberalismo. "Coube a Margaret Thatcher liderar a reação da direita, dotá-la de um novo programa para a acumulação capitalista e romper o cerco que parecia condenar o imperialismo à decadência." Ao longo desta narrativa, vamos também tendo acesso a algumas das movimentações nos bastidores ingleses. Somos levados aos meandros da política, mas sem muito aprofundamento da questão. 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-guerra-fria-as-razoes-do-antagonismo-entre-as-superpotencias/

https://existeumlugarnomundo.com.br/cruzador-aurora-uma-lenda-russa/

https://operamundi.uol.com.br/opiniao/margaret-thatcher-foi-a-grande-apostola-da-guerra-fria/

 

 

11
Mai24

"Civilização"

Elsa Filipe

Escrito por Eça de Queirós e recontado por Luísa Ducla Soares, este pequeno conto fala-nos do aborrecido Jacinto que, apesar de viver rodeado de todos os luxos e modernidades que existem, não é feliz. Jacinto é um homen culto, mas vive muito entediado. Até que resolve passar uma temporada longe da civilização, num velho solar em Torges. Para a viagem, manda todas as suas comodidades e modernidades, mas nada chega ao seu destino, pois os seus bens acabam por se perder. Em vez dos vários talheres a que está acostumado tem um garfo de ferro, em vez dos copos limpos e coloridos que adornavam a sua vasta mesa, Jacinto tem agora um copo velho e manchado de vinho. Mas afinal, até gosta da comida e até o vinho é do seu agrado.

Jacinto, nas palavras do narrador que como se nota em toda a narrativa, o acompanha nesta sua ida, fica muito desmoralizado. No entanto, como refere então o narrador na visita que lhe faz tempos depois, acaba por se render à beleza e à simplicidade da vida do campo, que acabam por transformá-lo. O solar, foi agora arranjado com alguns elementos mais citadinos, como a colocação de novas janelas, mas não perdeu a sua beleza rústica.

Este conto foi publicado, primeiramente, "pelo jornal de Notícias do Rio de Janeiro, em 1892, e serviu como base para a posterior redação do romance A Cidade e as Serras em que Eça de Queirós começaria a trabalhar em 1893 e que receberia versão final apenas em 1901, após a morte do escritor."

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o_(conto)

 

08
Mai24

"O gato que salvava livros"

Elsa Filipe

Este é um gato muito especial, que aparece numa pequena loja de livros antigos (a Livros Natsuki), cuidada por um jovem adolescente, que vê a sua vida alterada, depois da perda do avô com quem vivia. Enigmático e divertido, o gato irá levar o rapaz a usar a sua argúcia e sabedoria para debater temas importantes com as mais excentricas personalidades.

Bertrand.pt - O Gato que Salvava Livros

A abertura da parede final da loja permite a passagem para um novo mundo, que pode ser entendido como um mundo interior, ou como uma passagem para uma outra dimensão. Rintaro, terá a ajuda da sua amiga e delegada de turma, que nutre por ele uma paixão juvenil.

O autor nipónico, Sosuke Natsukawa, consegue transportar-nos através da magia das palavras, tocando em assuntos sensíveis, como o luto, enquanto nos conduz numa viagem para salvar os livros. Ao longo desta história, vão sendo também chamados ao foco principal grandes autores e as suas obras.

Um livro que recomendo para todos e que se encontra no Plano Nacional de Leitura.

 

 

05
Mai24

Dia Mundial da Lingua Portuguesa

Elsa Filipe

O Dia da Língua Portuguesa é assinalado pela CPLP desde 5 de Maio de 2010 e desde 2019 que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) proclamou esta data como Dia Mundial da Língua Portuguesa. A data é assinalada em vários pontos do globo.

A CPLP, como organização intergovernamental, parceira oficial da UNESCO desde 2000, que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica, promove junto das suas comunidades diversas atividades de leitura, declamação de poesia, apresentação de livros, entre outras.

Dia Mundial da Língua Portuguesa 2024 - Camões - Instituto da Cooperação e  da Língua

"A língua portuguesa é não só uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul. O português continua a ser, hoje, uma das principais línguas de comunicação internacional, e uma língua com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar."

Fontes:

https://nuoi.missaoportugal.mne.gov.pt/pt/a-miss%C3%A3o/noticias/dia-mundial-da-l%C3%ADngua-portuguesa-unesco

https://www.instituto-camoes.pt/sobre/comunicacao/noticias/dia-mundial-da-lingua-portuguesa-2024

 

23
Abr24

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

Elsa Filipe

Um dia escrevi uma história... 

Raras vezes publico aquilo que escrevo. Mas houve um dia em que resolvi entrar num concurso e algum tempo depois, ligaram-me da editora. O meu conto não tinha ganho, mas tinham gostado bastante e queriam publicá-lo. Claro que eu tive custos - para mim foi difícil na altura - mas publicar um livro meu, era um sonho que se ia realizar. Demorou quase um ano até que o livro estivesse fisicamente à venda. Infelizmente, as vendas foram muito poucas, o que me deixa triste mas eu sei agora que fiz mal ter optado por publicar logo na primeira proposta, sem saber o que outras me poderiam oferecer. Um livro de capa mole é menos atrativo para quem tem crianças pequenas.

Hoje é dia mundial do livro. 

Os livros...

Ler é a minha paixão. Sou daquelas pessoas que tem sempre livros no carro e livros na mala. Os livros têm de ser respeitados, não só pelo livro físico em si, mas pelo trabalho e pelo esforço que dá. Escrever, até pode ser prazeroso, colocar no papel aquilo que nos vai na alma, descrever locais, criar personagens, tramas e enredos. Pode ser um ato de libertação, um grito de raiva, um pedido de ajuda...

Hoje é dia do livro. 

O propósito deste dia é encorajar a leitura e promover a proteção dos direitos de autor, destacando-se também "importância dos livros enquanto elemento basilar da educação e do progresso de uma sociedade." Mas os nossos jovens lêem tão pouco! 

A data em concreto foi "escolhida com base na lenda de São Jorge e o Dragão, adaptada para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Sant Jordi) e recebem, em troca, um livro, testemunho das aventuras do heroico cavaleiro. Neste dia é, também, prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare, Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, falecidos em 1616, exatamente em abril."

"A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), em 2024, assinalam os 500 anos do nascimento de Camões, através de um cartaz comemorativo do Dia Mundial do Livro 2024."

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-mundial-do-livro-e-dos-direitos-de-autor

 

20
Abr24

"O Depoimento de Américo Thomaz"

Elsa Filipe

Hoje fui à biblioteca do Seixal, onde podemos ter acesso a livros sobre o Antigo Regime, sobre o 25 de Abril e sob o pós-revolução, engtre os quais podemos encontrar também alguns livros que tinham sido proibidos pelo Regime.

Escolhi para hoje, um livro do escritor e caricaturista José Vilhena, que é um retrato do Antigo Regime, num tom de sarcástico e irónico, que roça mesmo o gozo e que se torna uma excelente forma de perceber o Estado Novo. Neste livro, publicado em 1975, José Vilhena retrata a mentalidade do fascismo português de uma forma única.

A própria capa do livro, assume desde logo esse sarcasmo a roçar quase a ofensa, em que Américo Thomaz aparece representado com uma "cabeça de abóbora".

O Depoimento de Américo Thomaz

Já na contracapa, desenhadas como que a caneta no uniforme de Américo Thomaz também representam algumas ordens e comendas bem elucidativas, como por exemplo: "Benemérita Associação dos Amigos do Alheio", pela sua dedicação mostrada à causa. O Depoimento de Américo Thomaz

O texto é uma resposta ao depoimento do Chefe de Estado, deposto aquando da Revolução de Abril de 1974, quando foi demitido do cargo de Presidente e "expulso compulsivamente da Marinha, tendo sido enviado para a Madeira, donde partiu para o exílio no Brasil." 

Américo Thomaz tinha sido o "candidato escolhido pela União Nacional para suceder a Craveiro Lopes, com o beneplácito de António de Oliveira Salazar, em 1958. Uma das razões para ter sido escolhido, foi o facto de ser uma pessoa pouco interventiva." De facto, este acabou por ser "pouco mais do que um chefe de estado cerimonial, aparecendo muitas vezes a inaugurar exposições de flores," sendo muitas vezes apelidado de "o corta-fitas". Era também alvo de gozo, "pelo seu pouco talento para o discurso público," ficndo na memória frases como:"É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive", ou "Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei", que proferiu em visitas e inaugurações.

Mas neste livro, a crítica a Américo Thomaz é apenas o mote, que leva depois a um despencar de críticas e sublimes ofensivas contra o Regime e contra os seus principais intervenientes. Fica aqui, um pouco daquilo que podem ler, mas convido-vos, se conseguirem encontrar algum exemplar, a lerem este verdadeiro achado literário.

"Fiz a viagem em companhia da Gertrudes, (...) e do fuinha do Marcelo Caetano, esse sabujo que, no fim de contas, foi o coveiro do Império (...)."

"(...) resolvi aceitar o honroso convite, depois de ter perguntado ao meu médico assistente se o fígado, o estômago, os rins e a coluna aguentariam mais sete anos de passeatas, jantaradas, coquetéis e beberetes."

"(...) quando me meteram ao empurrão dentro dum «chaimite» a caminho do aeroporto."

"Só barragens, inauguradas por mim, foram 17 (...), mictórios foram 204 (...)."

"Enquanto o anterior regime esteve no poder, viveu-se sempre em abundância, com o cinto desapertado e sem temer o dia de amanhã. E se julgam que era só o Chefe de Estado quem metia para dentro a labúrdia, estão completamente equivocados."

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rico_Tom%C3%A1s

 

 

19
Abr24

Os livros antes de Abril

Elsa Filipe

Durante anos, o país esteve mergulhado na escuridão e na censura. Muitos temas eram proibidos. Grandes escritores eram censurados e os seus livros proibidos. Muitos escritores eram levados ao exílio.

Mas alguns iam escapando à malha apertada da PIDE e chegavam a ver a luz do dia, a ser lidos por alguém, mesmo que depois fossem recolhidos e destruídos. Uma grande maioria da população era analfabeta e vivia da agricultura, do trabalho nas fábricas, e isso era visto pelo Estado Novo como uma forma de ter controlo sobre a população. É que o conhecimento traz liberdade! 

Recomendo vivamente:

https://ensina.rtp.pt/artigo/livros-e-leituras-antes-e-depois-da-revolucao-de-abril/

 

10
Abr24

"O Príncipe Nabo"

Elsa Filipe

Ilse Losa publicou este texto dramático em 1962 e, até hoje, continua a estar representado na lista de leituras recomendadas para a infância.

A história é sobre as desventuras da "Princesa Beatriz", que precisa escolher um marido de entre vários pretendentes. Mas nenhum lhe agrada e vai aproveitando para ir "gozando" com cada um dos pretendentes até que o "Rei" lhe resolve dar uma lição.

Este texto dramático está dividido em três atos. Além da princesa e do rei, existem outras personagens relevantes, como o "Marechal da Corte" que é o responsável por encontrar pretendentes para a Princesa, ou a "Mademoiselle" que representa o papel de educadora da jovem e que tem origem francesa. Há também o "Bobo" que se chama "Marcelino" e que não deixa de nos levar a uma grande lição de moral!

O texto é bastante divertido e de leitura fácil, sendo adequado para o 5º ano, tal como é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Aconselho uma leitura prévia por parte do adulto de forma a conseguir preparar a leitura desta obra na sala de aula, uma vez que a riqueza dos diálogos e das descrições pode ser trabalhado de forma bastante interessante e, até divertida! Um excelente livro para promover o gosto pela leitura.

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